quarta-feira, 30 de agosto de 2017

FATORES DE RISCO À SAÚDE E DOENÇAS HIPOCINÉTICAS  
 2º Ano -  3º  Bimestre

     Em uma abordagem mais moderna, a saúde é compreendida como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada por um continuum com polos positivo e negativo associados aos aumentos na morbidade e/ou mortalidade das populações.

     Segundo dados do Ministério de Saúde (2006), as doenças do aparelho circulatório representam a principal causa de mortes para ambos os sexos em todas as regiões do Brasil (com exceção da Norte). Em segundo lugar, nas estatísticas, estão as mortes associadas a causas externas (especialmente acidentes e homicídios), entre os homens, e as neoplasias (câncer), entre as mulheres.

     Conhecendo-se as principais causas de mortalidade, é importante identificar os fatores de risco ligados a elas. Conceituados como hábitos ou características pessoais que predispõem ao desenvolvimento de patologias, os fatores de risco podem ser divididos em não modificáveis (hereditariedade, sexo, envelhecimento e etnia) e modificáveis (fumo, álcool, drogas, sedentarismo, estresse e alimentação). Como são controlados pela manutenção ou pela mudança dos hábitos diários, os fatores modificáveis podem ser alvo de campanhas educacionais e de saúde que incentivem a adoção de um estilo de vida saudável.

     As doenças do aparelho circulatório (doenças cardiovasculares) afetam tanto o coração – como na doença arterial coronariana e no infarto, quanto os vasos sanguíneos, como na aterosclerose, no acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico (AVE) e na doença vascular periférica. Histórico familiar, sexo masculino e envelhecimento destacam-se como os principais fatores de risco não modificáveis dessas doenças. O tabagismo, o sedentarismo, a dieta inadequada e altos níveis de estresse são os principais fatores modificáveis. Além desses, doenças como diabetes e obesidade são fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, muitas vezes por estarem associadas a baixos níveis de atividade física e dietas inadequadas (ricas em gorduras).

     Mais importante do que estabelecer quais fatores são mais relevantes no comprometimento cardiovascular é entender como eles contribuem para o problema e estabelecer os cuidados que devem ser tomados para preveni-lo.

     Quanto aos fatores não modificáveis, é importante que se investigue o histórico familiar. A existência de casos de doenças ou problemas cardiovasculares na família faz que uma atenção maior seja dedicada aos fatores de risco
modificáveis à medida que a idade avança, especialmente entre os homens.

     O tabagismo, associado a uma alimentação/ dieta desequilibrada que favoreça um nível elevado de colesterol sanguíneo, especialmente da lipoproteína de baixa densidade (LDL), além de níveis corporais baixos das vitaminas
A, E e C, pode ocasionar lesão na parede das artérias e favorecer o surgimento da aterosclerose (placa de gordura na camada interna das artérias), condição altamente associada ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Portanto, redução do tabagismo e melhor qualidade na composição da dieta, em particular no que se refere à ingestão de gordura e de vitaminas, exerceriam efeito protetor sobre o surgimento e o agravamento das doenças cardiovasculares.

     O sedentarismo talvez seja o fator de risco mais prevalente, o que está presente no maior número de casos. Nas pessoas com hábitos sedentários, a aptidão cardiovascular diminui, sobrecarregando o aparelho circulatório durante a realização de atividades físicas. Em contrapartida, o exercício regular aumenta a resistência aeróbia, que promove adaptações nas artérias coronarianas (como aumento de seu diâmetro e diminuição de sua rigidez) e no coração, uma vez que o músculo cardíaco se fortalece. Essas alterações protegem contra distúrbios cardiovasculares. Além disso, pessoas ativas comumente mantêm os outros fatores de risco sob controle (tabagismo, alimentação e estresse).
    
     O estresse, por sua vez, diz respeito à maneira pela qual o organismo reage a qualquer estímulo, podendo ser positivo (quando relacionado a estímulos que promovam adaptações positivas ao organismo, como a atividade física moderada), ou negativo, (quando associado a estímulos prejudiciais ao organismo, como a dor). É difícil delimitar a participação do nível de estresse no risco de doenças cardiovasculares, visto que sob situações estressantes muitos indivíduos adotam hábitos poucos saudáveis (comem, fumam e bebem exageradamente, utilizam drogas, exercitam-se menos etc.). Sabe-se, porém, que há forte relação entre maiores níveis de estresse e cardiopatias em indivíduos que apresentam padrões de comportamento associados à ansiedade, agressividade, hostilidade, exigência e competitividade. Para esses indivíduos, tais riscos só poderão ser minimizados se houver mudança na forma de responder às situações de estresse, o que requer alteração de seu estilo de vida.

     Ao relacionarmos exercícios físicos com estresse, percebemos que as características da atividade geram consequências distintas. Quando o exercício envolve atividade física intensa, prolongada ou repetida sem um intervalo adequado entre as sessões, o organismo é exposto a uma condição de estresse crônico, físico e mental, favorecendo o desenvolvimento de doenças. Em contrapartida, atividades físicas moderadas e/ou de cunho recreativo, praticadas com regularidade, permitem ao organismo recuperar-se adequadamente entre uma sessão e outra tem efeito tranquilizante associado à sensação de bem-estar, além de reações bioquímicas provocadas pelas endorfinas, que podem ajudar a reduzir os níveis de estresse.

     A adoção de um estilo de vida fisicamente ativo é um fator importante para a manutenção de um bom estado de saúde. Porém, algumas condutas inadequadas ou prejudiciais à saúde podem estar atreladas à prática de exercícios físicos. Por exemplo: a ilusão de obter resultados melhores com maior rapidez compromete os benefícios pretendidos com a atividade física regular; dietas diversas, voltadas principalmente para a redução de peso corporal, e uso de suplementos alimentares, esteroides anabolizantes e outras formas de doping, adotados para potencializar os efeitos do treinamento físico e a obtenção de maior rendimento atlético, são igualmente comprometedores.

Doenças hipocinéticas: obesidade, hipertensão e outras

     Conforme ressaltado, o sedentarismo é um dos fatores de risco de maior prevalência (número total de casos) na gênese de patologias que afetam negativamente a saúde, como obesidade, diabetes e hipertensão, referidas como doenças hipocinéticas, o que sugere a adoção de um estilo de vida fisicamente mais ativo como fator de prevenção e promoção/manutenção de um bom estado de saúde.
    
     Manter-se fisicamente ativo implica maior envolvimento com a atividade física, que pode ser definida como qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, que gera um gasto energético superior ao que se despende em repouso. Engloba, portanto, as atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se e comer, as tarefas domésticas, as atividades profissionais, o deslocamento e as atividades de lazer, incluindo exercícios físicos, dança etc.

     Para que a atividade física possa promover e manter benefícios à saúde, é necessário que se induza adaptações positivas sobre o estado de aptidão física. Essas adaptações são feitas, sobretudo, pela prática de exercícios físicos, definidos como toda atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção da aptidão física, das habilidades motoras ou a reabilitação orgânico-funcional.

     De acordo com NAHAS (2006), considera-se sedentário o indivíduo que, na somatória das atividades físicas, apresenta um gasto energético semanal inferior a 500 kcal. Já o indivíduo que acumula um gasto energético semanal de pelo menos 1 000 kcal é considerado moderadamente ativo.
    
Níveis moderados de atividade física podem reduzir de forma significativa o risco de doenças hipocinéticas (obesidade, hipertensão e outras) Portanto, identificar o perfil de atividade física de cada indivíduo e sua relação com o atual estado de saúde pode ser uma importante estratégia para a promoção de um estilo de vida fisicamente mais ativo e saudável.

Níveis de atividade física e obesidade

     Atualmente, o aumento excessivo de peso devido ao acúmulo de gordura nas reservas corporais (obesidade) está associado principalmente à combinação de baixos níveis de atividade física com alta ingestão calórica ou, especificamente, com alta ingestão de gordura. Ao longo do processo de envelhecimento, é comum observar o aumento da gordura corporal em razão do sedentarismo progressivo. Ex-atletas também estariam propensos ao aumento da gordura corporal em virtude da redução do gasto calórico decorrente da diminuição do nível de atividade física sem a correta adequação na ingestão calórica.

     A evidente associação entre sedentarismo, alimentação inadequada e maior incidência e prevalência de obesidade torna necessária uma rotina fisicamente mais ativa, paralela a hábitos nutricionais adequados. Dessa forma, é possível prevenir e controlar o aumento do peso corporal e suas consequências negativas para a saúde, que causam maior risco de morbidade.

     Participar de programas de exercícios físicos facilita o ajuste entre o gasto energético decorrente das atividades físicas e a ingestão calórica, o que é fundamental no controle da obesidade. Para a elaboração de um programa de exercícios adequado, devem-se considerar as características individuais, como disponibilidade de tempo e preferência motivacional por modalidades diversas (aeróbias e anaeróbias), a fim de se definirem a intensidade e a duração das atividades.

Níveis de atividade física e diabetes

     O diabetes mellitus é uma doença endócrino-metabólica caracterizada por altos níveis glicêmicos, decorrentes da ausência ou da baixa quantidade de insulina no sangue e/ou da ineficiência na ação da insulina. Atualmente, é uma das patologias mais prevalentes em todo o mundo, associada a altas taxas de morbidade e mortalidade. Quando o controle metabólico não é satisfatório, surgem complicações agudas e crônicas que provocam impactos econômicos e sociais.

     Baixos níveis de atividade física podem contribuir indiretamente para o surgimento de quadros de diabetes associados ao maior acúmulo de gordura corporal e consequente aumento de peso. Mas, quando se pensa no diabetes, combater o sedentarismo é essencial para controlar a doença. O exercício físico, associado ou não a dietas especiais e ao uso de fármacos, como insulina e outros hipoglicemiantes, desempenha importante papel no controle da glicemia (taxa de açúcar no sangue), pois melhora os mecanismos de captação de glicose pelos órgãos, como o fígado e músculos. Logo, um diabético fisicamente menos ativo pode encontrar maior dificuldade em controlar seus níveis glicêmicos, o que pode agravar a doença e facilitar o aparecimento de complicações agudas ou crônicas, como problemas renais, oculares e vasculares.

Níveis de atividade física e hipertensão

     A hipertensão tem como característica o aumento da pressão sanguínea acima dos níveis considerados normais para cada faixa etária, sexo e estilo de vida. A pressão elevada provoca sobrecarga hemodinâmica, estimulando uma carga adicional no trabalho cardíaco e danos nas paredes internas dos vasos, especialmente nas artérias. Em adultos, considera-se um indivíduo hipertenso quando sua pressão sanguínea constantemente atinge valores sistólicos acima de 140 mmHg ou valores diastólicos superiores a 90 mmHg. A hipertensão pode provocar diversas complicações vasculares, cardíacas, renais e cerebrais. Comparados a pessoas com pressão arterial normal, os hipertensos correm um risco sete vezes maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e três vezes maior de ter infarto do miocárdio.


     Uma das consequências do baixo nível de atividade física é uma menor capacidade cardiovascular, o que pode sobrecarregar o sistema cardiocirculatório. Associados a fatores genéticos e nutricionais, o aumento de peso e o nível elevado de estresse pode predispor ao desenvolvimento da hipertensão. Em contraposição,alguns estudos têm demonstrado que a prática regular de exercícios de baixa a moderada intensidade e de longa duração age positivamente sobre a pressão sanguínea, diminuindo o risco de ocorrência de hipertensão.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ginástica Artística - Histórico - 6º Ano

    A ginástica, como manifestação do ser humano, vem ao longo da história se constituindo de diferentes maneiras. A preocupação com o exercício físico acompanha o ser humano desde a pré-história, período no qual a sobrevivência era a sua maior preocupação: defender-se e atacar sempre que necessário.

    Na Grécia, a ginástica foi marcada por contradições apontadas por Platão na busca
do homem harmonioso, de alma purificada e corpo sadio. Na Idade Média, as festividades e os jogos marcavam os primeiros indícios para o que mais tarde se tornaria os métodos ginásticos clássicos. Hoje, a ginástica artística (GA), modalidade esportiva individual cuja essência percorreu a história da humanidade, configura-se como um dos mais belos espetáculos do ponto de vista estético, e da superação de limites, marcada por gestos corporais fortes – graciosamente alinhados e tensionados, suspensos, invertidos e equilibrados no solo, apoiados ou não em aparelhos, sempre testando os limites da gravidade.

     No mundo contemporâneo, o corpo e a arte de se exercitar livremente assumem as mais diversas características, cujos símbolos e códigos estão presentes no jogo, no esporte,na dança, na luta, na capoeira e na ginástica.

   Como modalidade esportiva individual, a GA surgiu no século XIX, em um contexto
marcado por exercícios preparatórios para a guerra. Seu idealizador foi o alemão Johann
Friedrich Ludwig Jahn, também conhecido como “o pai da ginástica”.

    A GA teve sua origem em uma espécie de “grande playground” com diferentes aparelhos localizados em uma floresta voltada para a formação de ginastas com interesses
patrióticos. O cavalo para o treinamento foi construído em madeira para que os ginastas se tornassem hábeis na hora em que precisassem ficar em pé ou girar sobre a coluna do verdadeiro cavalo enquanto este seguisse em grande velocidade contra o inimigo.

    Durante os Jogos Olímpicos de Atenas, de 1896, os movimentos que caracterizavam a ginástica – conhecida por ginástica olímpica – consistiam, entre outras provas, em exercícios
nas barras paralelas (individual e por equipe), na barra fixa (individual e por equipe), no cavalo com alças, em salto sobre o cavalo e em subida em cordas verticais. As provas eram exclusivamente masculinas.

    Em 1900, quando os Jogos Olímpicos ocorreram em Paris, a competição combinou provas realizadas nos jogos de Atenas com os exercícios de salto em altura, salto com vara, salto em distância e o histórico cabo de guerra.

     Em 1904, em Saint Louis (Estados Unidos da América), foram incluídos os exercícios
de suspensão nas argolas. Já em Estocolmo (Suécia), em 1912, os exercícios no solo caracterizavam-se por deixar as mãos livres e marcar a criatividade nas apresentações.

    O ano de 1928, em Amsterdã (Holanda), foi um marco para as mulheres, que até então disputavam oficialmente as competições esportivas apenas em demonstrações. Os exercícios femininos em conjunto eram realizados nas barras paralelas masculinas baixas.

     Na cidade de Berlim (Alemanha), em 1936, as competições masculinas nos seis aparelhos
(solo, cavalo, argolas, barras paralelas, salto e barra fixa) e os exercícios femininos (paralelas
assimétricas, solo e trave de equilíbrio) imprimiram a imagem da ginástica ao esporte: técnica, força e habilidades complexas. Diferentes provas, aliadas à diversidade de estilos e aparelhos, motivaram também a necessidade de definição quanto às suas regras.

    Foi em 1952, em Helsinque (Finlândia), que a GA iniciou seu período como esporte (no conceito atual de fenômeno social), quando as regras para julgamento dos exercícios foram uniformizadas e definidas por meio de um código de pontuação. Foi nessa edição dos Jogos Olímpicos que, pela primeira vez, as provas deixaram de ser realizadas em local aberto.
    As quatro provas tradicionais femininas (individual geral e por equipe) – salto, barras paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e solo – foram incluídas nos Jogos Olímpicos de Roma (Itália), em 1960. O programa feminino, a exemplo do masculino, não sofreu alterações significativas desde então.

 Informações básicas sobre a ginástica artística:

► Posições básicas do corpo: estendida, grupada, carpada, afastada, afastada-carpada, em situações de equilíbrio, suspensão e apoio.

Competições: por equipe, individual geral e individual por aparelho.

Provas ou aparelhos de competição:

– Femininas: salto sobre a mesa, paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e solo.

– Masculinas: solo, cavalo com alças, argolas, salto sobre a mesa, barras paralelas e barra fixa.

► Os movimentos característicos da GA envolvem: giros sobre si mesmo, aberturas e fechamentos, passar por apoios invertidos, saltos e aterrissagens, equilíbrios com diferentes apoios, deslocamentos com diferentes apoios (bipedia, quadrupedia), suspensões, balanceios e volteios.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Handebol - Breve Histórico

Handebol – Breve Histórico

6º Anos

     O handebol é uma modalidade esportiva extremamente dinâmica e simples de jogar. Não
necessita de muitos implementos, exigindo apenas uma área livre, uma bola, duas balizas e
sete jogadores por equipe: um goleiro e seis jogadores de linha. Como seu próprio nome em
inglês sugere, a bola deve ser passada com as mãos, o que torna essa modalidade mais fácil e
motivante para os alunos, uma vez que a precisão com as mãos é maior que com os pés.

     Não se sabe ao certo a origem imigrantes alemães na cidade de São Paulo. A criação da Federação Paulista de Handebol,
em 1940, serviu de estímulo para que a modalidade esportiva passasse a ganhar muitos adeptos e praticantes no país, especialmente nas escolas.
desse esporte. Estudiosos indicam que o modo como o handebol é jogado hoje foi pensado pelo alemão Karl Schelenz, com base na reformulação de um jogo chamado Torball (criado por outro alemão, Max Heiser), alterando seu nome para Handball, com regras publicadas pela Federação Alemã de Ginástica.

      Para Borsari (1977), porém, Karl Schelenz teria criado o handebol, em 1919, ao buscar um esporte que fosse praticado exclusivamente por mulheres, partindo da prática corporal de um jogo tcheco chamado hazena e de outros jogos, como o sallon, considerado o precursor do handebol e muito praticado no Uruguai.

     Seja como for, Schelenz difundiu o handebol pela Europa. Quando os homens também passaram a praticar esse esporte, os limites do espaço de jogo foram ampliados para as medidas do campo de futebol e cada equipe passou a contar com 11 jogadores. O diretor da Escola de Educação Física da Alemanha tornou o handebol um desporto oficial em 1920. Segundo Borsari (1977), a Federação Internacional de Handebol foi criada em 1927, com a inscrição de 39 países. Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional incluiu esse esporte nas Olimpíadas de Berlim, e dois anos depois, em 1938, a equipe alemã vencia o primeiro Campeonato Mundial de Handebol.

      Foram os suecos que propuseram a prática do handebol em locais fechados, por causa
das baixas temperaturas do inverno europeu.Diante disso, o esporte passou a ser jogado com sete jogadores por equipe, ganhando muita popularidade após a Segunda Guerra Mundial.

     O handebol chegou ao Brasil por volta de1930, tendo sido difundido principalmente por imigrantes alemães na cidade de São Paulo. A criação da Federação Paulista de Handebol, em 1940, serviu de estímulo para que a modalidade esportiva passasse a ganhar muitos adeptos e praticantes no país, especialmente nas escolas.



Bibliografia:
Proposta Curricular de 5a- a 8a- séries do Ensino

Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Corpo,Saúde e Beleza - 1º Ano - Primeiro Bimestre

CORPO, SAÚDE E BELEZA
                                                               Educação Física – 1º Ano -                              1º Bimestre
 


   Todo professor de Ensino Médio percebe o impacto que certos modelos de beleza corporal,insistentemente propagados pelas mídias (televisão, revistas etc.), exercem sobre os alunos,que, com frequência, julgam-se obesos,querem emagrecer e tornar-se musculosos.Para isso, aderem a regimes “milagrosos”, praticam exercícios de forma equivocada e eventualmente fazem uso de substâncias proibidas,como anabolizantes e remédios que inibem o apetite, com prejuízos para a própria saúde.

     Basta prestar atenção às capas das revistas voltadas para o público adolescente e jovem (em especial para as meninas), à venda em qualquer banca de jornal, e constatar o que sugerem ou prometem explicitamente: “Emagreça comendo de tudo!”, “Defina seus músculos com apenas 15 minutos de ginástica!”,“Corpo novo em três meses!” etc. A personagem central das capas é sempre uma mulher jovem (raramente de etnia negra), bela, magra e sorridente, em geral trajando biquíni, fotografada das coxas para cima, em pose sensual. Também as figuras masculinas são, em geral,homens jovens e brancos, às vezes com o torso nu e pernas expostas, para exibir uma musculatura bem delineada.

     No interior dessas revistas também sempre
encontramos programas de exercícios ginásticos para diversos grupos musculares, com a promessa de “diminuir a barriga”, “endurecer o bumbum” etc., ou a sugestão de corridas, caminhadas e prática de esportes para “perder calorias” e, portanto, emagrecer. Percebe-se aí como o exercício físico não é associado à saúde ou ao bem-estar, mas a um modelo estereotipado de beleza corporal caracterizado pela extrema magreza corporal. Se calcularmos o índice de massa corpórea – IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) das modelos e artistas estampadas nas capas, encontraremos valores muito baixos, que indicam magreza, às vezes abaixo do mínimo para que uma pessoa seja considerada saudável, além de estarem muito distantes da média nacional.

    Todavia, para esculpir esse modelo corporal definido pelas mídias (para mulheres e homens) não basta apenas o exercício físico, nem mesmo conjugado com dieta. Exige também a intervenção cirúrgica (lipoaspiração,cirurgia plástica propriamente dita, próteses de silicone). Tudo isso, com o devido suporte de supostas evidências científicas, aumenta o oferecimento de produtos e serviços associados à busca desse ideal de beleza corporal – massagens, cosméticos, equipamentos de ginástica domésticos, alimentos light e diet etc. – no contexto do chamado “mercado do corpo e do fitness”. Contraditoriamente, esse mercado convive em nossa realidade com bolsões sociais de pobreza e miséria, nos quais há ainda muitos brasileiros que passam fome!

      Esse bombardeio de informações verbais e visuais fixa um modelo de beleza (o qual contribui decisivamente para a construção das representações sociais do corpo) e, ao propor os meios para alcançá-lo com facilidade ilusória, não mais nos dizem: “Você pode...”, mas “Você deve!”. É muito difícil resistir a essa pressão, e a partir de certo grau de adesão às práticas alimentares e de exercitação física sugeridas pode haver comprometimento da saúde, bem como constrangimento social decorrente da sensação de não atingir o padrão idealizado.

      Tais referências externas dificultam o autoconhecimento, o reconhecimento das possibilidades do ser humano e seus limites tal como é, e restringem as possibilidades do Se-Movimentar em jogos, esportes, ginásticas, lutas e atividades rítmicas a certos objetivos muito específicos (emagrecer, delinear a musculatura etc.), empobrecendo seu potencial formativo.

     Em todos os canais de comunicação, e também nos espaços públicos, ditam-se as regras de cultivo do corpo. Dentre os exercícios físicos, difundiram-se a musculação, o fisiculturismo, as atividades de fitness. O corpo belo é aquele sempre “superdefinido”, “durinho”, sem celulite ou estrias.

     Apesar dos avanços em relação à compreensão dos mecanismos pelos quais a alimentação e o exercício físico podem contribuir para aquisição e manutenção de níveis adequados de saúde, a busca por um determinado padrão de perfectibilidade da beleza impulsiona o consumo de produtos, de práticas e de recursos nem sempre compatíveis com esse propósito.

     Diante da possibilidade (ou ilusão...) de obter resultados expressivos em curto espaço de tempo, muitos jovens passam a adotar condutas por vezes enganosas ou mesmo prejudiciais à saúde, entre as quais se encontram as dietas “milagrosas” e o uso inadequado de suplementos alimentares.

     Modificações drásticas na dieta que resultam em perdas acentuadas de peso em curto espaço de tempo são difíceis de serem mantidas. Além disso, a perda de peso observada decorre principalmente da redução hídrica (perda de água), bem como da perda de tecido magro, permanecendo as reservas de gordura quase inalteradas, especialmente em virtude da diminuição na taxa metabólica de repouso (energia gasta para manter o funcionamento orgânico durante o estado de repouso).

     Em verdade, programas saudáveis de emagrecimento preconizam que a perda ponderal não deva exceder 1% do peso corporal total por semana, evitando-se assim prejuízos na regulação metabólica, função imunológica, integridade óssea e manutenção da capacidade funcional ao longo do envelhecimento.

     Outros problemas que afetam frequentemente os adolescentes, diante do forte apelo social em favor de padrões de beleza caracterizados pela magreza corporal, são distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia.

     A anorexia nervosa, mais comum entre as meninas, caracteriza-se pelo desejo obsessivo de manter o peso corporal abaixo dos níveis normais para a faixa etária e estatura em virtude da preocupação excessiva com a imagem corporal que se encontra distorcida, pois pessoas anoréxicas se percebem gordas apesar de sua magreza. Pela “magreza”, essas pessoas se mantêm em jejum por longos períodos e ingerem menos alimentos que o necessário para manter o balanço energético, além de estimularem compulsivamente o maior gasto energético possível em sessões de exercícios.


     A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios frequentes de ingestão alimentar em excesso num curto período de tempo, quase sempre seguidos por jejum, uso abusivo de laxantes ou diuréticos, vômitos autoinduzidos, ou prática compulsiva de exercícios, numa tentativa de evitar o aumento de peso após o exagero alimentar.

Controle ponderal, níveis de atividade física e obesidade.

      A manutenção do nosso peso corporal obedece a um mecanismo regulador encarregado de equilibrar a ingestão alimentar (influxo e consumo calórico) com o custo energético (gasto calórico ou produção de energia). quando, por qualquer motivo, esse equilíbrio é rompido, ocorre modificação no peso corporal. Se a quantidade de calorias adquiridas pela alimentação ultrapassar aquela utilizada para atender as necessidades diárias de funcionamento do organismo (gastos com metabolismo basal, termogênese e atividade física), esse excesso será armazenado sob a forma de gordura no tecido adiposo, ocasionando aumento ponderal (ganho de peso corporal). Uma ingestão reduzida, por sua vez, associada a um maior gasto energético, promove a redução ponderal (perda de peso corporal).

     A obesidade (acúmulo excessivo de gordura corporal, acima dos limites de normalidade esperados) é um fenômeno multifatorial complexo, mas se sabe que a alimentação e a falta de atividade física são fatores importantes, especialmente por sua relação com condições ambientais e aspectos comportamentais diversos.

     A redução dos níveis de atividade física (hipocinesia) é um dos principais responsáveis pelo aumento excessivo de peso a partir do acúmulo de gordura nas reservas corporais. Muitos estudos sustentam que o aumento da adiposidade, normalmente associado ao processo de envelhecimento, decorre principalmente do nível de atividade física, uma vez que as pessoas entram em sedentarismo progressivo com o passar dos anos.

     A condição mais adequada para que se possa estabelecer um controle efetivo sobre o fenômeno da obesidade requer a associação entre exercícios e dieta. Em crianças e adultos moderadamente obesos, essa combinação oferece maior possibilidade de atingir balanço calórico negativo e, consequentemente, redução da gordura e do peso corporal, comparada ao exercício ou à dieta isoladamente.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ginástica Alternativa - 2º Ano

       
GINÁSTICA ALTERNATIVA
 

       Nas duas ou três últimas décadas, é bastante visível na sociedade brasileira o aumento do interesse por esportes e atividades físicas/exercício em geral, seja nas modalidades esportivas mais tradicionais (futebol, voleibol etc.), nas diversas ginásticas (aeróbica, localizada etc.), nos esportes radicais, sejam pelas chamadas “práticas alternativas”, como pilates, tai chi chuan, ioga, massagem etc. Em outras palavras, o ato de movimentar-se, de fazer exercícios e colocar-se “em forma", está na ordem do dia, ocupando papel de destaque em qualquer discurso preocupado com a qualidade da vida, com a redução do estresse e com a promoção do “bem viver”.

        Nesse sentido, expressões como: “o corpo é um todo”, “consciência do movimento” ou “consciência do corpo pelo movimento” ganham cada vez mais repercussão, especialmente entre os interessados na ginástica alternativa.

       A palavra “alternativa” significa “optativa”, aquilo que vai para “além do tradicional”, ou mesmo “fuga do tradicional”, pois se refere a uma mudança radical e profunda no planejamento, na tomada de decisão e na avaliação da Cultura de Movimento dos nossos tempos. É um “movimento” que nasceu com o ser humano, evoluiu com a civilização, perdeu-se no tempo e foi restaurado em função das necessidades, desejos e interesses do homem, da mulher, do adulto, do jovem, da criança, do idoso, das pessoas com deficiência, enfim, de toda a humanidade; das pessoas carentes e necessitadas de experiências que trouxessem de volta, em simbiose, a força e a sensibilidade. Afinal, os princípios da ginástica alternativa postulam que os praticantes sejam fortemente sensíveis e sensivelmente fortes. Para reforçar esses conceitos, levamos em conta que a força sem sensibilidade é truculência e a sensibilidade sem força é pusilanimidade.

       Força e sensibilidade, firmeza e doçura, vigor e ternura, são polos complementares de uma práxis da ginástica (prática refletida), que busca oferecer um estado de fluxo (experiência máxima de realização) para os praticantes, cujos sentidos ficam inteiramente “antenados” na busca do prazer, da alegria, da felicidade e da realização.

        Seu conceito básico é o de que a percepção do movimento e, portanto, do corpo, está associada ao autoconhecimento do indivíduo, sobretudo por ser o corpo portador de memória, percepção, capacidade de adaptação e consciência.

       Os primórdios da ginástica alternativa foram encontrados em civilizações de até 5 000 anos atrás como a chinesa, a tailandesa, a hindu, a japonesa e a egípcia. No final do século XIX, François Delsarte, interessado no movimento intencionalmente expressivo, desenvolveu um trabalho corporal adotado por professoras norte-americanas e alemãs. Ao longo do tempo, esse trabalho recebeu diversas denominações, como ginástica respiratória, ginástica harmônica, ginástica orgânica, ginástica médica, ginástica de relaxamento, ginástica suave, ginástica holística, eutonia e antiginástica.

       Outro precursor das inúmeras terapias e cuidados corporais foi Wilhelm Reich, que, no século XX, destacou a importância da forma, da estrutura e da função do gesto na compreensão da postura e da atitude humana, fortalecendo a compreensão e a dimensão da ginástica alternativa.

       No Brasil, há 50 anos, o Dr. José Angelo Gaiarsa vem dando vida e dinâmica ao que chamou de Biomecânica Existencial, valorizando o olhar, o toque, a respiração, o movimento consciente, a propriocepção, a reversibilidade entre o tônus emocional e o tônus muscular, as expressões, as forças gravitacionais, antigravitacionais, tangenciais, secantes e as forças internas, juntando o mecânico e o humano da nossa espécie.

        A ginástica alternativa popularizou-se no país na década de 1970, no bojo dos movimentos associados à contracultura, às artes marciais, à ioga e aos discursos do “bem-estar”, influenciando e sendo influenciada por eles.

       Atualmente, no Brasil e no mundo, a ginástica alternativa expandiu-se e diversificou-se em quantidade e qualidade: método Pilates, neopilates, power-pilates, ioga, shiatsu, educação somática existencial, feldenkrais, bioenergética, rolfing, antiginástica, reflexologia, massoterapias, ginástica harmônica, danças circulares, cadeias musculares e articulares, método Mézières, método self-healing, contato e improvisação, ginástica brasileira (baseada na capoeira), eutonia, ginástica suave e muitos outros.

       Para o desenvolvimento do tema, propomos considerar três dos muitos princípios da ginástica alternativa, são eles: suavidade, holismo e ludicidade.

       Ainda que inter-relacionados, esses princípios possuem a sua especialidade.

       O Princípio da Suavidade preconiza a realização do movimento de forma leve, lenta e suave. Atualmente, a vida apresenta um altíssimo grau de velocidade: a informação é veloz, o esporte é veloz, o trabalho é veloz. A pressa impede a meditação, a contemplação e a possibilidade de gozar as belezas do cotidiano. A pressa cria o estresse negativo, um dos grandes males dos nossos tempos.

       O Princípio do Holismo pressupõe, durante a realização do movimento, a integração entre o psíquico e o somático. O termo vem do grego holos, que significa “o todo”, isto é, a personalidade global do ser humano, constituída pelo pensamento (ideias), pela emoção (sentimentos), pela sensação (órgãos do sentido), pela ação (deslocamentos e posições) e pela transcendência (vida espiritual).

        O Princípio de Ludicidade, por sua vez, procura garantir o prazer, a fruição e a alegria durante a
 realização dos movimentos. Está ligado à recreação, aos jogos, às brincadeiras, ao estado de fruição do ser humano,à felicidade.

       As atividades que integram a ginástica alternativa devem ser realizadas com economia de energia, pouca velocidade, baixo impacto, sobrecarga mínima ou inexistente e pequeno estímulo aeróbio.Além disso, devem:

Ø  objetivar o desenvolvimento pessoal e social (singularidade, autonomia, participação ativa, harmonia);

Ø  promover o bem-estar e autorrealização;

Ø  ser coeducativas, ou seja, integrar participantes de ambos os sexos;


Ø  desenvolver a amizade e a cooperação, podendo ser realizadas individualmente, em duplas e em grupos.