quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ginástica Artística - Histórico - 6º Ano

    A ginástica, como manifestação do ser humano, vem ao longo da história se constituindo de diferentes maneiras. A preocupação com o exercício físico acompanha o ser humano desde a pré-história, período no qual a sobrevivência era a sua maior preocupação: defender-se e atacar sempre que necessário.

    Na Grécia, a ginástica foi marcada por contradições apontadas por Platão na busca
do homem harmonioso, de alma purificada e corpo sadio. Na Idade Média, as festividades e os jogos marcavam os primeiros indícios para o que mais tarde se tornaria os métodos ginásticos clássicos. Hoje, a ginástica artística (GA), modalidade esportiva individual cuja essência percorreu a história da humanidade, configura-se como um dos mais belos espetáculos do ponto de vista estético, e da superação de limites, marcada por gestos corporais fortes – graciosamente alinhados e tensionados, suspensos, invertidos e equilibrados no solo, apoiados ou não em aparelhos, sempre testando os limites da gravidade.

     No mundo contemporâneo, o corpo e a arte de se exercitar livremente assumem as mais diversas características, cujos símbolos e códigos estão presentes no jogo, no esporte,na dança, na luta, na capoeira e na ginástica.

   Como modalidade esportiva individual, a GA surgiu no século XIX, em um contexto
marcado por exercícios preparatórios para a guerra. Seu idealizador foi o alemão Johann
Friedrich Ludwig Jahn, também conhecido como “o pai da ginástica”.

    A GA teve sua origem em uma espécie de “grande playground” com diferentes aparelhos localizados em uma floresta voltada para a formação de ginastas com interesses
patrióticos. O cavalo para o treinamento foi construído em madeira para que os ginastas se tornassem hábeis na hora em que precisassem ficar em pé ou girar sobre a coluna do verdadeiro cavalo enquanto este seguisse em grande velocidade contra o inimigo.

    Durante os Jogos Olímpicos de Atenas, de 1896, os movimentos que caracterizavam a ginástica – conhecida por ginástica olímpica – consistiam, entre outras provas, em exercícios
nas barras paralelas (individual e por equipe), na barra fixa (individual e por equipe), no cavalo com alças, em salto sobre o cavalo e em subida em cordas verticais. As provas eram exclusivamente masculinas.

    Em 1900, quando os Jogos Olímpicos ocorreram em Paris, a competição combinou provas realizadas nos jogos de Atenas com os exercícios de salto em altura, salto com vara, salto em distância e o histórico cabo de guerra.

     Em 1904, em Saint Louis (Estados Unidos da América), foram incluídos os exercícios
de suspensão nas argolas. Já em Estocolmo (Suécia), em 1912, os exercícios no solo caracterizavam-se por deixar as mãos livres e marcar a criatividade nas apresentações.

    O ano de 1928, em Amsterdã (Holanda), foi um marco para as mulheres, que até então disputavam oficialmente as competições esportivas apenas em demonstrações. Os exercícios femininos em conjunto eram realizados nas barras paralelas masculinas baixas.

     Na cidade de Berlim (Alemanha), em 1936, as competições masculinas nos seis aparelhos
(solo, cavalo, argolas, barras paralelas, salto e barra fixa) e os exercícios femininos (paralelas
assimétricas, solo e trave de equilíbrio) imprimiram a imagem da ginástica ao esporte: técnica, força e habilidades complexas. Diferentes provas, aliadas à diversidade de estilos e aparelhos, motivaram também a necessidade de definição quanto às suas regras.

    Foi em 1952, em Helsinque (Finlândia), que a GA iniciou seu período como esporte (no conceito atual de fenômeno social), quando as regras para julgamento dos exercícios foram uniformizadas e definidas por meio de um código de pontuação. Foi nessa edição dos Jogos Olímpicos que, pela primeira vez, as provas deixaram de ser realizadas em local aberto.
    As quatro provas tradicionais femininas (individual geral e por equipe) – salto, barras paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e solo – foram incluídas nos Jogos Olímpicos de Roma (Itália), em 1960. O programa feminino, a exemplo do masculino, não sofreu alterações significativas desde então.

 Informações básicas sobre a ginástica artística:

► Posições básicas do corpo: estendida, grupada, carpada, afastada, afastada-carpada, em situações de equilíbrio, suspensão e apoio.

Competições: por equipe, individual geral e individual por aparelho.

Provas ou aparelhos de competição:

– Femininas: salto sobre a mesa, paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e solo.

– Masculinas: solo, cavalo com alças, argolas, salto sobre a mesa, barras paralelas e barra fixa.

► Os movimentos característicos da GA envolvem: giros sobre si mesmo, aberturas e fechamentos, passar por apoios invertidos, saltos e aterrissagens, equilíbrios com diferentes apoios, deslocamentos com diferentes apoios (bipedia, quadrupedia), suspensões, balanceios e volteios.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Handebol - Breve Histórico

Handebol – Breve Histórico

6º Anos

     O handebol é uma modalidade esportiva extremamente dinâmica e simples de jogar. Não
necessita de muitos implementos, exigindo apenas uma área livre, uma bola, duas balizas e
sete jogadores por equipe: um goleiro e seis jogadores de linha. Como seu próprio nome em
inglês sugere, a bola deve ser passada com as mãos, o que torna essa modalidade mais fácil e
motivante para os alunos, uma vez que a precisão com as mãos é maior que com os pés.

     Não se sabe ao certo a origem imigrantes alemães na cidade de São Paulo. A criação da Federação Paulista de Handebol,
em 1940, serviu de estímulo para que a modalidade esportiva passasse a ganhar muitos adeptos e praticantes no país, especialmente nas escolas.
desse esporte. Estudiosos indicam que o modo como o handebol é jogado hoje foi pensado pelo alemão Karl Schelenz, com base na reformulação de um jogo chamado Torball (criado por outro alemão, Max Heiser), alterando seu nome para Handball, com regras publicadas pela Federação Alemã de Ginástica.

      Para Borsari (1977), porém, Karl Schelenz teria criado o handebol, em 1919, ao buscar um esporte que fosse praticado exclusivamente por mulheres, partindo da prática corporal de um jogo tcheco chamado hazena e de outros jogos, como o sallon, considerado o precursor do handebol e muito praticado no Uruguai.

     Seja como for, Schelenz difundiu o handebol pela Europa. Quando os homens também passaram a praticar esse esporte, os limites do espaço de jogo foram ampliados para as medidas do campo de futebol e cada equipe passou a contar com 11 jogadores. O diretor da Escola de Educação Física da Alemanha tornou o handebol um desporto oficial em 1920. Segundo Borsari (1977), a Federação Internacional de Handebol foi criada em 1927, com a inscrição de 39 países. Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional incluiu esse esporte nas Olimpíadas de Berlim, e dois anos depois, em 1938, a equipe alemã vencia o primeiro Campeonato Mundial de Handebol.

      Foram os suecos que propuseram a prática do handebol em locais fechados, por causa
das baixas temperaturas do inverno europeu.Diante disso, o esporte passou a ser jogado com sete jogadores por equipe, ganhando muita popularidade após a Segunda Guerra Mundial.

     O handebol chegou ao Brasil por volta de1930, tendo sido difundido principalmente por imigrantes alemães na cidade de São Paulo. A criação da Federação Paulista de Handebol, em 1940, serviu de estímulo para que a modalidade esportiva passasse a ganhar muitos adeptos e praticantes no país, especialmente nas escolas.



Bibliografia:
Proposta Curricular de 5a- a 8a- séries do Ensino

Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Corpo,Saúde e Beleza - 1º Ano - Primeiro Bimestre

CORPO, SAÚDE E BELEZA
                                                               Educação Física – 1º Ano -                              1º Bimestre
 


   Todo professor de Ensino Médio percebe o impacto que certos modelos de beleza corporal,insistentemente propagados pelas mídias (televisão, revistas etc.), exercem sobre os alunos,que, com frequência, julgam-se obesos,querem emagrecer e tornar-se musculosos.Para isso, aderem a regimes “milagrosos”, praticam exercícios de forma equivocada e eventualmente fazem uso de substâncias proibidas,como anabolizantes e remédios que inibem o apetite, com prejuízos para a própria saúde.

     Basta prestar atenção às capas das revistas voltadas para o público adolescente e jovem (em especial para as meninas), à venda em qualquer banca de jornal, e constatar o que sugerem ou prometem explicitamente: “Emagreça comendo de tudo!”, “Defina seus músculos com apenas 15 minutos de ginástica!”,“Corpo novo em três meses!” etc. A personagem central das capas é sempre uma mulher jovem (raramente de etnia negra), bela, magra e sorridente, em geral trajando biquíni, fotografada das coxas para cima, em pose sensual. Também as figuras masculinas são, em geral,homens jovens e brancos, às vezes com o torso nu e pernas expostas, para exibir uma musculatura bem delineada.

     No interior dessas revistas também sempre
encontramos programas de exercícios ginásticos para diversos grupos musculares, com a promessa de “diminuir a barriga”, “endurecer o bumbum” etc., ou a sugestão de corridas, caminhadas e prática de esportes para “perder calorias” e, portanto, emagrecer. Percebe-se aí como o exercício físico não é associado à saúde ou ao bem-estar, mas a um modelo estereotipado de beleza corporal caracterizado pela extrema magreza corporal. Se calcularmos o índice de massa corpórea – IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) das modelos e artistas estampadas nas capas, encontraremos valores muito baixos, que indicam magreza, às vezes abaixo do mínimo para que uma pessoa seja considerada saudável, além de estarem muito distantes da média nacional.

    Todavia, para esculpir esse modelo corporal definido pelas mídias (para mulheres e homens) não basta apenas o exercício físico, nem mesmo conjugado com dieta. Exige também a intervenção cirúrgica (lipoaspiração,cirurgia plástica propriamente dita, próteses de silicone). Tudo isso, com o devido suporte de supostas evidências científicas, aumenta o oferecimento de produtos e serviços associados à busca desse ideal de beleza corporal – massagens, cosméticos, equipamentos de ginástica domésticos, alimentos light e diet etc. – no contexto do chamado “mercado do corpo e do fitness”. Contraditoriamente, esse mercado convive em nossa realidade com bolsões sociais de pobreza e miséria, nos quais há ainda muitos brasileiros que passam fome!

      Esse bombardeio de informações verbais e visuais fixa um modelo de beleza (o qual contribui decisivamente para a construção das representações sociais do corpo) e, ao propor os meios para alcançá-lo com facilidade ilusória, não mais nos dizem: “Você pode...”, mas “Você deve!”. É muito difícil resistir a essa pressão, e a partir de certo grau de adesão às práticas alimentares e de exercitação física sugeridas pode haver comprometimento da saúde, bem como constrangimento social decorrente da sensação de não atingir o padrão idealizado.

      Tais referências externas dificultam o autoconhecimento, o reconhecimento das possibilidades do ser humano e seus limites tal como é, e restringem as possibilidades do Se-Movimentar em jogos, esportes, ginásticas, lutas e atividades rítmicas a certos objetivos muito específicos (emagrecer, delinear a musculatura etc.), empobrecendo seu potencial formativo.

     Em todos os canais de comunicação, e também nos espaços públicos, ditam-se as regras de cultivo do corpo. Dentre os exercícios físicos, difundiram-se a musculação, o fisiculturismo, as atividades de fitness. O corpo belo é aquele sempre “superdefinido”, “durinho”, sem celulite ou estrias.

     Apesar dos avanços em relação à compreensão dos mecanismos pelos quais a alimentação e o exercício físico podem contribuir para aquisição e manutenção de níveis adequados de saúde, a busca por um determinado padrão de perfectibilidade da beleza impulsiona o consumo de produtos, de práticas e de recursos nem sempre compatíveis com esse propósito.

     Diante da possibilidade (ou ilusão...) de obter resultados expressivos em curto espaço de tempo, muitos jovens passam a adotar condutas por vezes enganosas ou mesmo prejudiciais à saúde, entre as quais se encontram as dietas “milagrosas” e o uso inadequado de suplementos alimentares.

     Modificações drásticas na dieta que resultam em perdas acentuadas de peso em curto espaço de tempo são difíceis de serem mantidas. Além disso, a perda de peso observada decorre principalmente da redução hídrica (perda de água), bem como da perda de tecido magro, permanecendo as reservas de gordura quase inalteradas, especialmente em virtude da diminuição na taxa metabólica de repouso (energia gasta para manter o funcionamento orgânico durante o estado de repouso).

     Em verdade, programas saudáveis de emagrecimento preconizam que a perda ponderal não deva exceder 1% do peso corporal total por semana, evitando-se assim prejuízos na regulação metabólica, função imunológica, integridade óssea e manutenção da capacidade funcional ao longo do envelhecimento.

     Outros problemas que afetam frequentemente os adolescentes, diante do forte apelo social em favor de padrões de beleza caracterizados pela magreza corporal, são distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia.

     A anorexia nervosa, mais comum entre as meninas, caracteriza-se pelo desejo obsessivo de manter o peso corporal abaixo dos níveis normais para a faixa etária e estatura em virtude da preocupação excessiva com a imagem corporal que se encontra distorcida, pois pessoas anoréxicas se percebem gordas apesar de sua magreza. Pela “magreza”, essas pessoas se mantêm em jejum por longos períodos e ingerem menos alimentos que o necessário para manter o balanço energético, além de estimularem compulsivamente o maior gasto energético possível em sessões de exercícios.


     A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios frequentes de ingestão alimentar em excesso num curto período de tempo, quase sempre seguidos por jejum, uso abusivo de laxantes ou diuréticos, vômitos autoinduzidos, ou prática compulsiva de exercícios, numa tentativa de evitar o aumento de peso após o exagero alimentar.

Controle ponderal, níveis de atividade física e obesidade.

      A manutenção do nosso peso corporal obedece a um mecanismo regulador encarregado de equilibrar a ingestão alimentar (influxo e consumo calórico) com o custo energético (gasto calórico ou produção de energia). quando, por qualquer motivo, esse equilíbrio é rompido, ocorre modificação no peso corporal. Se a quantidade de calorias adquiridas pela alimentação ultrapassar aquela utilizada para atender as necessidades diárias de funcionamento do organismo (gastos com metabolismo basal, termogênese e atividade física), esse excesso será armazenado sob a forma de gordura no tecido adiposo, ocasionando aumento ponderal (ganho de peso corporal). Uma ingestão reduzida, por sua vez, associada a um maior gasto energético, promove a redução ponderal (perda de peso corporal).

     A obesidade (acúmulo excessivo de gordura corporal, acima dos limites de normalidade esperados) é um fenômeno multifatorial complexo, mas se sabe que a alimentação e a falta de atividade física são fatores importantes, especialmente por sua relação com condições ambientais e aspectos comportamentais diversos.

     A redução dos níveis de atividade física (hipocinesia) é um dos principais responsáveis pelo aumento excessivo de peso a partir do acúmulo de gordura nas reservas corporais. Muitos estudos sustentam que o aumento da adiposidade, normalmente associado ao processo de envelhecimento, decorre principalmente do nível de atividade física, uma vez que as pessoas entram em sedentarismo progressivo com o passar dos anos.

     A condição mais adequada para que se possa estabelecer um controle efetivo sobre o fenômeno da obesidade requer a associação entre exercícios e dieta. Em crianças e adultos moderadamente obesos, essa combinação oferece maior possibilidade de atingir balanço calórico negativo e, consequentemente, redução da gordura e do peso corporal, comparada ao exercício ou à dieta isoladamente.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ginástica Alternativa - 2º Ano

       
GINÁSTICA ALTERNATIVA
 

       Nas duas ou três últimas décadas, é bastante visível na sociedade brasileira o aumento do interesse por esportes e atividades físicas/exercício em geral, seja nas modalidades esportivas mais tradicionais (futebol, voleibol etc.), nas diversas ginásticas (aeróbica, localizada etc.), nos esportes radicais, sejam pelas chamadas “práticas alternativas”, como pilates, tai chi chuan, ioga, massagem etc. Em outras palavras, o ato de movimentar-se, de fazer exercícios e colocar-se “em forma", está na ordem do dia, ocupando papel de destaque em qualquer discurso preocupado com a qualidade da vida, com a redução do estresse e com a promoção do “bem viver”.

        Nesse sentido, expressões como: “o corpo é um todo”, “consciência do movimento” ou “consciência do corpo pelo movimento” ganham cada vez mais repercussão, especialmente entre os interessados na ginástica alternativa.

       A palavra “alternativa” significa “optativa”, aquilo que vai para “além do tradicional”, ou mesmo “fuga do tradicional”, pois se refere a uma mudança radical e profunda no planejamento, na tomada de decisão e na avaliação da Cultura de Movimento dos nossos tempos. É um “movimento” que nasceu com o ser humano, evoluiu com a civilização, perdeu-se no tempo e foi restaurado em função das necessidades, desejos e interesses do homem, da mulher, do adulto, do jovem, da criança, do idoso, das pessoas com deficiência, enfim, de toda a humanidade; das pessoas carentes e necessitadas de experiências que trouxessem de volta, em simbiose, a força e a sensibilidade. Afinal, os princípios da ginástica alternativa postulam que os praticantes sejam fortemente sensíveis e sensivelmente fortes. Para reforçar esses conceitos, levamos em conta que a força sem sensibilidade é truculência e a sensibilidade sem força é pusilanimidade.

       Força e sensibilidade, firmeza e doçura, vigor e ternura, são polos complementares de uma práxis da ginástica (prática refletida), que busca oferecer um estado de fluxo (experiência máxima de realização) para os praticantes, cujos sentidos ficam inteiramente “antenados” na busca do prazer, da alegria, da felicidade e da realização.

        Seu conceito básico é o de que a percepção do movimento e, portanto, do corpo, está associada ao autoconhecimento do indivíduo, sobretudo por ser o corpo portador de memória, percepção, capacidade de adaptação e consciência.

       Os primórdios da ginástica alternativa foram encontrados em civilizações de até 5 000 anos atrás como a chinesa, a tailandesa, a hindu, a japonesa e a egípcia. No final do século XIX, François Delsarte, interessado no movimento intencionalmente expressivo, desenvolveu um trabalho corporal adotado por professoras norte-americanas e alemãs. Ao longo do tempo, esse trabalho recebeu diversas denominações, como ginástica respiratória, ginástica harmônica, ginástica orgânica, ginástica médica, ginástica de relaxamento, ginástica suave, ginástica holística, eutonia e antiginástica.

       Outro precursor das inúmeras terapias e cuidados corporais foi Wilhelm Reich, que, no século XX, destacou a importância da forma, da estrutura e da função do gesto na compreensão da postura e da atitude humana, fortalecendo a compreensão e a dimensão da ginástica alternativa.

       No Brasil, há 50 anos, o Dr. José Angelo Gaiarsa vem dando vida e dinâmica ao que chamou de Biomecânica Existencial, valorizando o olhar, o toque, a respiração, o movimento consciente, a propriocepção, a reversibilidade entre o tônus emocional e o tônus muscular, as expressões, as forças gravitacionais, antigravitacionais, tangenciais, secantes e as forças internas, juntando o mecânico e o humano da nossa espécie.

        A ginástica alternativa popularizou-se no país na década de 1970, no bojo dos movimentos associados à contracultura, às artes marciais, à ioga e aos discursos do “bem-estar”, influenciando e sendo influenciada por eles.

       Atualmente, no Brasil e no mundo, a ginástica alternativa expandiu-se e diversificou-se em quantidade e qualidade: método Pilates, neopilates, power-pilates, ioga, shiatsu, educação somática existencial, feldenkrais, bioenergética, rolfing, antiginástica, reflexologia, massoterapias, ginástica harmônica, danças circulares, cadeias musculares e articulares, método Mézières, método self-healing, contato e improvisação, ginástica brasileira (baseada na capoeira), eutonia, ginástica suave e muitos outros.

       Para o desenvolvimento do tema, propomos considerar três dos muitos princípios da ginástica alternativa, são eles: suavidade, holismo e ludicidade.

       Ainda que inter-relacionados, esses princípios possuem a sua especialidade.

       O Princípio da Suavidade preconiza a realização do movimento de forma leve, lenta e suave. Atualmente, a vida apresenta um altíssimo grau de velocidade: a informação é veloz, o esporte é veloz, o trabalho é veloz. A pressa impede a meditação, a contemplação e a possibilidade de gozar as belezas do cotidiano. A pressa cria o estresse negativo, um dos grandes males dos nossos tempos.

       O Princípio do Holismo pressupõe, durante a realização do movimento, a integração entre o psíquico e o somático. O termo vem do grego holos, que significa “o todo”, isto é, a personalidade global do ser humano, constituída pelo pensamento (ideias), pela emoção (sentimentos), pela sensação (órgãos do sentido), pela ação (deslocamentos e posições) e pela transcendência (vida espiritual).

        O Princípio de Ludicidade, por sua vez, procura garantir o prazer, a fruição e a alegria durante a
 realização dos movimentos. Está ligado à recreação, aos jogos, às brincadeiras, ao estado de fruição do ser humano,à felicidade.

       As atividades que integram a ginástica alternativa devem ser realizadas com economia de energia, pouca velocidade, baixo impacto, sobrecarga mínima ou inexistente e pequeno estímulo aeróbio.Além disso, devem:

Ø  objetivar o desenvolvimento pessoal e social (singularidade, autonomia, participação ativa, harmonia);

Ø  promover o bem-estar e autorrealização;

Ø  ser coeducativas, ou seja, integrar participantes de ambos os sexos;


Ø  desenvolver a amizade e a cooperação, podendo ser realizadas individualmente, em duplas e em grupos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Exercícios Resistidos - 2º Ano 2º Bimestre

2º Ano - Prof. Domingos

EXERCÍCIOS RESISTIDOS (MUSCULAÇÃO) E AUMENTO DA MASSA MUSCULAR

Registros históricos apresentam indícios de que a realização de exercícios contra resistência (carga), objetivando o fortalecimento muscular, já era prática entre os antigos povos assírios e babilônicos, bem como na Antiguidade grega, com propósitos estéticos e de ganho de força.
Podemos conceituar a musculação, de modo amplo,como sendo a prática de exercícios contra resistência, e concluir,consequentemente, que uma parcela considerável dos movimentos realizados em nosso dia-a-dia constitui-se de exercícios de musculação. Lambert (1990), por sua vez,destaca a musculação como o conjunto dos processos e meios que levam ao aumento e ao aperfeiçoamento da força muscular, associada ou não a outra capacidade física.
A prática corporal conhecida hoje como musculação ou exercício resistido acompanhou a evolução dos métodos de treinamento, em especial aqueles relacionados às alterações sobre a estrutura músculo-articular,e é regidas,além dos princípios mais gerais do treinamento físico-desportivo,por princípios específicos, quais sejam:
Princípio da Estrutura da Série de Exercícios:
Os grandes grupamentos musculares devem ser exercitados anteriormente aos pequenos,devido à tendência desses pequenos grupamentos chegarem à fadiga antes dos grandes,quando submetidos a cargas proporcionais.No caso dos iniciantes, as séries de exercícios devem alternar os segmentos corporais requisitados durante a realização dos exercícios,visando retardar a fadiga muscular.
Princípio da Especificidade do Movimento
Relaciona-se à utilização da musculação na preparação física para a prática esportiva.. Ao transportar o gesto desportivo para o exercício com pesos,deve-se considerar:
1)      observação do movimento a ser realizado;
2)      análise dos ângulos e músculos envolvidos;
3)      tipo de contração executada;
4)      montagem do programa de acordo com as capacidades físicas que se pretende treinar,bem como seus parâmetros de desenvolvimento.
                       ► Princípio da Sobrecarga
Diz respeito à graduação adequada dos fatores do treinamento (intensidade e volume), de modo a estimular o aumento das capacidades funcionais do organismo. Ou seja,significa obedecer à progressividade de carga de trabalho, a partir do volume e intensidade do programa, objetivando o alcance de novos níveis de adaptações morfofisiológicas, não alcançados com a utilização de cargas constantes.
A progressividade da carga deve considerar a individualidade do praticante quanto à sua condição de iniciante ou atleta, à sua capacidade de recuperação pós-esforço, e à sua capacidade de adaptação a novos estímulos. Em linhas gerais, o volume e a intensidade início de qualquer programa devem ser baixos, e aumentados com a evolução da condição física de cada pessoa,tendo-se, entretanto,a consciência da impossibilidade de aumento infinito da carga de trabalho,estando os atletas mais próximos dos limites máximos.
Apesar dos avanços técnico-científicos já alcançados, a disseminação de informações equivocadas (os chamados ”mitos”) quanto aos efeitos da musculação sobre o organismo ainda dificultam sua difusão como modalidade de atividade física favorável ao desenvolvimento e aprimoramento harmônicos da saúde humana.Um dos fatores que contribui para esta situação está relacionado à concepção que restringe a aplicação da musculação ao fisiculturismo (bodybuilding).
Muito criticado principalmente por sua freqüente associação com os asteróides anabolizantes e outros recursos anabólicos, o fisiculturismo, em razão do desenvolvimento exagerado da musculatura,conseguido à custa de árduos com cargas bastante elevadas, constitui-se, ainda que involuntariamente, no principal responsável pela descriminação da musculação é amplo, e relaciona-se a propósitos esportivos, estéticos e profiláticos.

Intensidade: é o grau de esforço momentâneo necessário à realização de um exercício, traduzido pela quantidade de energia utilizada na execução do mesmo, representado pelo peso (quilagem) em cada série e pela duração dos intervalos entre as mesmas.

Volume: é a quantidade de trabalho realizado, representado pela duração e freqüência das sessões.
 

Aplicabilidade da Musculação

Competição Esportiva
Levantamentos Olímpicos: modalidade desportiva presente desde os primeiros Jogos Olímpicos da Era moderna, cujos atletas buscam elevar a maior quantidade de peso possível, obedecendo a técnicas e regras preestabelecidas.
Culturismo: também conhecido como fisiculturismo (bodybuilding) e modelagem física, o culturismo corresponde à modalidade desportiva em que o atleta busca obter o desenvolvimento máximo de sua musculatura, acima dos níveis normais, sem, contudo, comprometer a simetria e as proporções musculares. Esta modalidade fomenta um vasto mercado em meio à suplementação alimentar, juntamente com a otimização dos processos metabólicos nos treinamentos voltados ao alcance da performance “máxima”.
Treinamento Esportivo
A musculação é largamente utilizada com meio auxiliar no desenvolvimento muscular, vinculada ao aprimoramento da força e da resistência localizada, objetivando maior eficiência do gesto esportivo. Devido à sua elevada demanda energética, a musculação deixou de ser coadjuvante nos programas de treinamentos,e foi incorporada ao planejamento global dos mesmos.
Estética
A utilização da musculação para fins estéticos assemelha-se ao culturismo, visto que o propósito dos praticantes consiste em adquirir uma modelagem física conforme os padrões de simetria e proporcionalidade dos músculos, buscando, entretanto, um desenvolvimento muscular compatíveis com os níveis normais, sem objetivo competitivo. Representa, nos dias atuais, uma das principais motivações para a prática da musculação em sua maior abrangência,especialmente nas academias e nos clubes,contribuindo para a evolução dos recursos materiais destinados à modelagem do corpo.
Profilaxia
A musculação auxilia a prevenção de lesões ósteo-mio-articulares, freqüente no esporte e em vária atividade profissionais,em que a realização de gestos repetitivos solicita grupos musculares localizados, o que favorece o surgimento das referidas lesões. Diante disso, deve-se reservar, durante o ciclo de treinamento e/ou jornada de trabalho, um período para os exercícios de compensação,pelo aumento da força muscular e/ou da resistência dos tendões e ligamentos, buscando equilibrar os grupos musculares antagonistas, diminuindo assim o risco de lesões e vícios posturais.

A prática da musculação também auxilia a combater a fragilidade músculo-esquelético que comumente acompanha as pessoas da terceira idade e a instalação da osteoporose, em geral nas mulheres ao adentrarem o período da menopausa, além de prevenir lesões óste-mio-articulares.