sábado, 10 de maio de 2014

História da Beleza - 1º Ano - 2º Bimestre

     A Grécia Antiga foi o berço das reflexões filosóficas mais reconhecidas sobre estética e beleza que passaram a nortear a nossa civilização. O tema da beleza foi associado aos conceitos de harmonia, proporção, simetria e esplendor. Relacionava-se também à ideia de justiça e de conhecimento. As formas perfeitas e as medidas simétricas solidificaram um modo “matemático” de ver a beleza.

     Na mitologia grega, o deus que representa a beleza masculina é Apolo, considerado o mais belo do Olimpo e também o deus protetor das artes (poesia, música, dança etc.) e da medicina. Outro mito greco-romano também muito conhecido é Narciso, jovem de singular beleza, cuja vida seria longa desde que não contemplasse, jamais, a própria imagem. Conta o mito, porém, que, no dia em que viu seu rosto refletido nas águas de uma fonte, Narciso se apaixonou tão perdidamente por sua própria imagem que, de tanto contemplá-la, morreu afogado.

     A civilização grega também difundiu a ginástica como o elemento da formação integral do indivíduo, cultuando a harmonia da forma física e o desenvolvimento do espírito. A educação, segundo o filósofo Platão, deveria proporcionar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza de que são capazes. Ao lado da preparação física, os poemas homéricos eram à base dessa educação que se pautava em heróis e na virilidade guerreira. Entretanto, ao final do século IV a.C., as manifestações religiosas do politeísmo grego
(inclusive os Jogos Olímpicos) foram proibidas. Gradativamente, a cultura religiosa e a ideia de transitoriedade do corpo mudaram o foco da beleza mundana para a celestial. Com o avanço da religião cristã evidenciou-se a compreensão do corpo feminino como aquele da beleza contemplativa e inalcançável, ao passo que o corpo masculino trazia a marca da força e da invencibilidade.Os homens eram os defensores dos princípios e das virtudes, responsáveis pelo trabalho na terra e pelo sustento das famílias.

     Na Idade Média, o corpo passou a identificar-se como o lugar de encarceramento do espírito. Como as formas físicas eram consideradas passageiras, cuidar do corpo era considerado pecado. Esse moralismo medieval fortaleceu o dualismo da beleza entre interna e externa, entre espiritual e física. No século XI, a
beleza feminina foi espiritualizada. Houve uma respeitosa adoração à mulher, idolatrada num amor platônico e inatingível, pela voz dos trovadores e dos romances cavalheirescos. Enaltecia-se a beleza da mulher angelical, de traços delicados, pele clara e cabelos em requintados penteados.

     Com o cristianismo alteraram-se os princípios que norteavam o sentido de beleza. As coisas belas se revelavam na alma e não fora dela. Os exercícios físicos, que antes eram difundidos para expressar a beleza interior, passaram a ter a conotação de desviar o homem do encontro com Deus.

     O Renascimento, movimento intelectual, estético e social ocorrido nos séculos XIV e XV retomou a cultura física, as artes, a música, a ciência e a literatura tão valorizadas na Antiguidade ocidental. Houve mais investimentos na educação e na saúde. A mulher,antes inspirada na imagem de “Maria”, virgem,pura, angelical e inalcançável, passou a ser adorada por suas formas físicas. A beleza do corpo  foi novamente explorada.

     O corpo passou a ser dissecado, dividido e analisado em sua composição biológica para ser com-preendido pela ciência. Destaca-se o trabalho de Leonardo da Vinci (1452-1519), que estudou os movimentos dos músculos e das articulações, criou as regras de proporção do corpo humano e produziu um dos primeiros tratados de biomecânica. Seu “homem vitruviano” simbolizava as proporções corporais ideais: face medindo 1/10 do comprimento total do corpo, a cabeça 1/8 e o tórax 1/4. A chamada proporção áurea definiu os cânones para que a beleza fosse revelada pela simetria. Havia, por exemplo, uma medida-padrão entre as duas orelhas ou os dois olhos. Quanto mais igual, perfeita, simétrica e equilibrada a forma, maior a contemplação da beleza.

                                          Figura 1 - O homem vitruviano, desenho de Leonardo da Vinci, de 1492.

     No século XVIII, marcado pela Revolução Industrial, estabeleceu-se uma nova concepção de beleza. A ciência difundiu a ideia de modelagem e adestramento do corpo, por meio dos aparelhos que ajudavam a corrigir e melhorar posturas consideradas inadequadas do ponto de vista médico, ortopédico e estético. Surgiram as “séries de exercícios físicos” para trabalhar grupos musculares específicos. A ginástica, prática “comprovadamente científica”, anunciada como meio de potencializar as ações e os gestos, estava relacionada ainda à noção de economia de tempo, de gasto de energia e de cultivo à saúde.

     A partir do século XIX a ideia de beleza se modificou. O corpo humano foi explorado em seu caráter terreno, tátil, sensual, sede do pecado e do prazer. Nos anos 1920 e início da década de 1930, evidenciou-se mais a beleza do corpo feminino que do masculino. Houve mais liberdade para mostrar os seios em decotes, vestir saias curtas e expor a sensualidade. No final dos anos de 1930 até 1950, o puritanismo vulgarizou a mulher que demonstrava sua sensualidade: a beleza do corpo precisava ser discretamente revelada, ao invés de escandalosamente exibida.

     Na década de 1960 vários movimentos pregaram a liberdade sexual e a emancipação da mulher. Muitas protestaram contra sua histórica submissão. O corpo, antes modelado e preso no espartilho, ganhou liberdade. Até mesmo as mulheres grávidas começaram a mostrar a barriga em público.

     A exibição do corpo belo passou a ter cada vez mais valor comercial. A nova beleza do século XX unia, ainda mais, as forças da ciência, da indústria e do comércio. A beleza, agora exibida nos meios de comunicação de massa, passou a ser “produto” de consumo, vendido como imagem e como bem. Cresceu a venda de roupas curtas, sensuais e exóticas. Maquiagens, sutiãs, lentes de contato; além disso, maneiras de andar e sentar ditaram regras da postura feminina. Investiu-se numa nova cultura estética, que instaurou a “ditadura da beleza”. Os estereótipos foram definidos para cada detalhe: cabelos (surgiu uma variedade de cosméticos e aumentou o número de pessoas que mudavam a cor e os cachos), olhos (coloridos, fortes, marcados pelo delineador e pelo rimel), pele (sem manchas, sem estrias, sem celulite), roupas (justas, com decotes e na moda) e seios (com silicone, ficando muito à mostra). A indústria químico-farmacêutica produz cremes e remédios que prometem modificar tudo:pele, contornos e pesos.

     Se nos últimos anos o investimento mercadológico na beleza expandiu seu foco, a exigência da beleza deixou de ser apenas sonho para modelos e manequins e tornou-se um atributo essencial a pessoas de todas as idades. Ser belo e aparentar juventude tornou-se um dever, uma busca a qualquer preço e risco.

     Na modernidade o corpo foi redescoberto, despido e modelado pelos exercícios físicos. Novos espaços e práticas ginásticas/esportivas passaram a convocara as pessoas para modelar o corpo. Multiplicaram-se os locais públicos e privados para práticas físicas: academias de ginástica, salas de musculação, praças, parques e clínicas estéticas.

     A ciência aperfeiçoou ainda mais suas técnicas para inovar no visual. Tornou-se possível alterar a cor da pele, mudar de rosto, aumentar os seios ou as nádegas, conquistando assim o padrão de beleza vigente, construído com botox, silicone, tintas, cirurgias plásticas, dietas arriscadas e muita maquiagem. Com a crescente mercantilização do corpo feminino, a beleza natural foi desaparecendo, naturalizando-se a beleza produzida artificialmente.

     Se inicialmente a principal referência de beleza eram as mulheres europeias e nórdicas,este conceito foi se alargando. Ao longo da história, ora o corpo belo tem seios grandes, cabelos longos e cacheados, cinturinha desenhada com espartilho e quadril largo, ora o corpo belo tem cabelos lisos, seios delineados,
quadril estreito, pernas longas, braços finos, com medidas quase anoréxicas.

     Todavia, é preciso ressaltar que os diferentes grupos culturais podem ver a beleza de maneira diferente − por exemplo, os grupos indígenas ou afrodescendentes –, tanto a sua própria como a dos outros grupos. Embora a exploração da beleza feminina seja mais enfatizada, também os padrões de beleza para os homens têm sofrido transformações. Muitos homens também começaram a dedicar-se aos cuidados estéticos. Chamados de “metrossexuais”, eles passaram a frequentar salões de beleza, fazer as unhas, pintar os cabelos e/ou depilar os pelos do peito.


     Em todos os canais de comunicação e também nos espaços públicos, ditam-se as regras de cultivo do corpo. Dentre os exercícios físicos, difundiram-se a musculação, o fisiculturismo, as atividades de fitness. O corpo belo é aquele sempre “superdefinido”, “durinho”, sem celulite ou estrias. Além da “boa forma”, valorizam-se o tipo de pele, o bronzeado, mesmo que artificial, e as medidas corporais − alteradas tanto com os recursos das roupas íntimas com enchimentos, quanto com as cirurgias. Os salões de beleza prometem alisamentos progressivos e permanentes. Os cabelos modificados (com escovas “revolucionárias” de formol, chocolate etc.) deixaram até de ser uma característica para identificar alguém. A beleza vem sendo tão artificializada, que os cabelos naturais são apontados como falsos. Como você ainda não pintou? Fez chapinha hoje? As perguntas cotidianas declaram: não sabemos mais o que foi alterado com recursos da beleza.

     A doentia busca pela beleza deve ser um assunto discutido também na escola, inclusive nas aulas de Educação Física. Devem-se alertar os alunos que a “beleza” é um tema complexo, influenciado por interesses religiosos, políticos, ideológicos e comerciais que direcionam nosso modo de vê-la e buscá-la. Por isso, é primordial compreender que a “beleza” depende do contexto histórico em que estamos inseridos ou de quais referenciais nos valemos

para interpretar a realidade.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Corpo, Saúde e Beleza - 1º Ano - 1º Bimestre


                                CORPO, SAÚDE E BELEZA
Educação Física – 1º Ano
 




         Todo professor de Ensino Médio percebe o impacto que certos modelos de beleza corporal,insistentemente propagados pelas mídias(televisão, revistas etc.), exercem sobre os alunos,que, com frequência, julgam-se obesos,querem emagrecer e tornar-se musculosos.Para isso, aderem a regimes “milagrosos”, praticam exercícios de forma equivocada e eventualmente fazem uso de substâncias proibidas,como anabolizantes e remédios que inibem o apetite, com prejuízos para a própria saúde.

       Basta prestar atenção às capas das revistas voltadas para o público adolescente e jovem (em especial para as meninas), à venda em qualquer banca de jornal, e constatar o que sugerem ou prometem explicitamente: “Emagreça comendo de tudo!”, “Defina seus músculos com apenas 15 minutos de ginástica!”, “Corpo novo em três meses!” etc. A personagem central das capas é sempre uma mulher jovem (raramente de etnia negra), bela, magra e sorridente, em geral trajando biquíni, fotografada das coxas para cima, em pose sensual. Também as figuras masculinas são, em geral,homens jovens e brancos, às vezes com o torso nu e pernas expostas, para exibir uma musculatura bem delineada.

         No interior dessas revistas também sempre encontramos programas de exercícios ginásticos para diversos grupos musculares, com a promessa de “diminuir a barriga”, “endurecer o bumbum” etc., ou a sugestão de corridas, caminhadas e prática de esportes para “perder calorias” e, portanto, emagrecer. Percebe-se aí como o exercício físico não é associado à saúde ou ao bem-estar, mas a um modelo estereotipado de beleza corporal caracterizado pela extrema magreza corporal. Se calcularmos o índice de massa corpórea – IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) das modelos e artistas estampadas nas capas, encontraremos valores muito baixos, que indicam magreza, às vezes abaixo do mínimo para que uma pessoa seja considerada saudável, além de estarem muito distantes da média nacional.

       Todavia, para esculpir esse modelo corporal definido pelas mídias (para mulheres e homens) não basta apenas o exercício físico, nem mesmo conjugado com dieta. Exige também a intervenção cirúrgica (lipoaspiração,cirurgia plástica propriamente dita, próteses de silicone). Tudo isso, com o devido suporte de supostas evidências científicas, aumenta o oferecimento de produtos e serviços associados à busca desse ideal de beleza corporal – massagens, cosméticos, equipamentos de ginástica domésticos, alimentos light e diet etc. – no contexto do chamado “mercado do corpo e do fitness”. Contraditoriamente, esse mercado convive em nossa realidade com bolsões sociais de pobreza e miséria, nos quais há ainda muitos brasileiros que passam fome!

       Esse bombardeio de informações verbais e visuais fixa um modelo de beleza (o qual contribui decisivamente para a construção das representações sociais do corpo) e, ao propor os meios para alcançá-lo com facilidade ilusória, não mais nos dizem: “Você pode...”, mas “Você deve!”. É muito difícil resistir a essa pressão, e a partir de certo grau de adesão às práticas alimentares e de exercitação física sugeridas pode haver comprometimento da saúde, bem como constrangimento social decorrente da sensação de não atingir o padrão idealizado.

       Tais referências externas dificultam o autoconhecimento, o reconhecimento das possibilidades do ser humano e seus limites tal como é, e restringem as possibilidades do Se-Movimentar em jogos, esportes, ginásticas, lutas e atividades rítmicas a certos objetivos muito específicos (emagrecer, delinear a musculatura etc.), empobrecendo seu potencial formativo. Em todos os canais de comunicação, e também nos espaços públicos, ditam-se as regras de cultivo do corpo. Dentre os exercícios físicos, difundiram-se a musculação, o fisiculturismo, as atividades de fitness.  O corpo belo é aquele sempre “superdefinido”, “durinho”, sem celulite ou estrias.

     Apesar dos avanços em relação  à compreensão dos mecanismos pelos quais a alimentação e o exercício físico podem contribuir para aquisição e manutenção de níveis adequados de saúde, a busca por um determinado padrão de perfectibilidade da beleza impulsiona o consumo de produtos, de práticas e de recursos nem sempre compatíveis com esse propósito. Diante da possibilidade (ou ilusão...) de obter resultados expressivos em curto espaço de tempo, muitos jovens passam a adotar condutas por vezes enganosas ou mesmo prejudiciais à saúde, entre as quais se encontram as dietas “milagrosas” e o uso inadequado de suplementos alimentares.

     Modificações drásticas na dieta que resultam em perdas acentuadas de peso em curto espaço de tempo são difíceis de serem mantidas. Além disso, a perda de peso observada decorre principalmente da redução hídrica (perda de água), bem como da perda de tecido magro, permanecendo as reservas de gordura quase inalteradas, especialmente em virtude da diminuição na taxa metabólica de repouso (energia gasta para manter o funcionamento orgânico durante o estado de repouso). Em verdade, programas saudáveis de emagrecimento preconizam que a perda ponderal não deva exceder 1% do peso corporal total por semana, evitando-se assim prejuízos na regulação metabólica, função imunológica, integridade óssea e manutenção da capacidade funcional ao longo do envelhecimento.

     Outros problemas que afetam frequentemente os adolescentes, diante do forte apelo social em favor de padrões de beleza caracterizados pela magreza corporal,são distúrbios alimentares como a anorexia e
a bulimia.

     A anorexia nervosa, mais comum entre as meninas, caracteriza-se pelo desejo obsessivo de manter o peso corporal abaixo dos níveis normais para a faixa etária e estatura em virtude da preocupação excessiva com a imagem corporal que se encontra distorcida, pois pessoas anoréxicas se percebem gordas apesar de sua magreza. Pela “magreza”, essas pessoas se mantêm em jejum por longos períodos e ingerem menos alimentos  que o necessário para manter o balanço energético, além de estimularem compulsivamente o maior gasto energético possível em sessões de exercícios.

     A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios frequentes de ingestão alimentar em excesso num curto período de tempo, quase sempre seguidos por jejum, uso abusivo de laxantes ou diuréticos, vômitos autoinduzidos, ou prática compulsiva de exercícios, numa tentativa de evitar o aumento de peso após o exagero alimentar.
  
                Controle ponderal, níveis de atividade física e obesidade

      A manutenção do nosso peso corporal obedece a um mecanismo regulador encarregado de equilibrar a ingestão alimentar (influxo e consumo calórico) com o custo energético (gasto calórico ou produção de energia). quando, por qualquer motivo, esse equilíbrio é rompido, ocorre modificação no peso corporal. Se a quantidade de calorias adquiridas pela alimentação ultrapassar aquela utilizada para atender as necessidades diárias de funcionamento do organismo (gastos com metabolismo basal, termogênese e atividade física), esse excesso será armazenado sob a forma de gordura no tecido adiposo, ocasionando aumento ponderal (ganho  de peso corporal). Uma ingestão reduzida, por sua vez, associada a um maior gasto energético, promove a redução ponderal (perda de peso corporal).

     A obesidade (acúmulo excessivo de gordura corporal, acima dos limites de normalidade esperados)é um fenômeno multifatorial complexo,mas se sabe que a alimentação e a falta de atividade física são fatores importantes, especialmente por sua relação com condições ambientais e aspectos comportamentais diversos.

     A redução dos níveis de atividade física (hipocinesia)é um dos principais responsáveis pelo aumento excessivo de peso a partir do acúmulo de gordura nas reservas corporais. Muitos estudos sustentam que o aumento da adiposidade, normalmente associado ao processo de envelhecimento, decorre principalmente do nível de atividade física, uma vez que as pessoas entram em sedentarismo progressivo com o passar dos anos.

 A condição mais adequada para que se possa estabelecer um controle efetivo sobre o fenômeno da obesidade requer a associação entre exercícios e dieta. Em crianças e adultos moderadamente obesos, essa combinação oferece maior possibilidade de atingir balanço calórico negativo e, consequentemente, redução da gordura e do peso corporal, comparada ao exercício ou à dieta isoladamente.

quarta-feira, 5 de março de 2014




História do Basquete
 1º Ano - 1º Bimestre



James Naismith – O pai do basquete mundial

          Em 1891, um professor canadense de educação física, da Associação Cristã de Moços, de Springfield, Massachussetts, nos Estados Unidos, chamado James Naismith, inventou o esporte que hoje conhecemos como Basquete ou então basketball. O primeiro nome é que chamamos pelo esporte em português. O segundo nome está em inglês e significa literalmente “bola na cesta”.
          Naismith estava disposto a criar um esporte extremamente pacífico para seus alunos, durante o rigoroso inverno que assolava Massachussetts na época.
O professor então, refletindo bastante, chegou à conclusão de que o jogo deveria ter um alvo fixo, com algum grau de dificuldade. Sem dúvida, deveria ser jogado com uma bola, maior que a de futebol, que picasse com regularidade. O jogo não poderia ser tão agressivo quanto o futebol americano para evitar conflitos entre os alunos e deveria ter um sentido coletivo. Havia outro problema: se a bola fosse jogada com os pés, a possibilidade de choque ainda existiria. Naismith decidiu então que o jogo deveria ser jogado com as mãos, mas a bola não poderia ficar retida por muito tempo e nem ser batida com o punho fechado, para evitar socos acidentais nas disputas de lances.
          A preocupação seguinte do professor era quanto ao alvo que deveria ser atingido pela bola. Imaginou primeiramente colocá-lo no chão, mas já havia outros esportes assim, como o hóquei e o futebol. A solução surgiu como um relâmpago: o alvo deveria ficar a 3,05 metros de altura, onde imaginava que nenhum jogador da defesa seria capaz de parar a bola que fosse arremessada para o alvo. Tamanha altura também dava um certo grau de dificuldade ao jogo, como Naismith desejava desde o início.
          A dificuldade seguinte seria onde fixar tal “coisa” a 3,05 metros de altura e como? Foi então que o professor chamou o zelador do colégio e perguntou se ele não teria duas caixas com abertura de 8 polegadas quadradas (cerca de 45,72 centímetros). O zelador foi até o depósito e buscou o material. Com um martelo e alguns pregos, Naismith prendeu os cestos na parte superior de duas pilastras, que ele pensava ter mais de 3,0 metros, uma em cada lado do ginásio. Mediu a altura. Exatos 3,05 metros, altura esta que permanece até hoje. Nascia então, a cesta de basquete.
          A partir daí o professor de educação física escreveu as primeiras regras do esporte. Em um papel, ele colocou 13 itens que foram usados na primeira partida oficial, disputada no ginásio Armory Hill, em 11 de março de 1892 (foto acima).
          Aos poucos, o esporte começou a chamar a atenção de empresas, que criaram bolas, tabelas e cestas específicas para o jogo.
          Não demorou muito para que o basquete conquistasse um grande número de participantes e fosse incluído nos Jogos Olímpicos de Berlim, na Alemanha, em 1936. O próprio Naismith lançou ao alto a bola que iniciou o primeiro jogo de basquete nas Olimpíadas.
          Atualmente, o esporte é praticado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo inteiro, nos mais de 170 países filiados à FIBA.

Augusto Shaw – O pai do basquete brasileiro

          A chegada do basquete ao Brasil, um dos primeiros países do mundo a conhecer o esporte, também veio através de um professor de educação física, porém, não ao que inventou o esporte e sim a um norte-americano nascido na cidade de Clayville, região de Nova York, nos Estados Unidos, chamado Augusto Shaw, vindo em 1894 para dar aula no colégio Mackenzi College, em São Paulo.
          No começo, o esporte enfrentou forte concorrência com o futebol, que desembarcava por aqui no mesmo ano, atraindo mais a atenção das mulheres para a prática do basquete. Aos poucos, Shaw convenceu seus alunos de que o basquete não era um jogo exclusivamente feminino. Com a resistência do público masculino sendo quebrada, o professor conseguiu montar a primeira equipe do Mackenzi, ainda em 1896. Com o desenvolvimento do esporte, em 1912, foram realizados os primeiros torneios brasileiros de basquete no ginásio da rua Quitanda, no Rio de Janeiro.
         
 O profissionalismo do basquete e o surgimento de grandes craques
          Em 1948 veio a primeira grande conquista do basquete brasileiro. Foi a medalha de bronze, nos Jogos Olímpicos de Londres, na Inglaterra.
          Nas décadas de 1950 e 1960, o Brasil contava com uma geração talentosa de jogadores como Wlamir Marques (foto abaixo) e Amaury Pasos.
          Em 1959, o Brasil ganhava o seu primeiro título mundial, disputado no Chile.
          Em 1960, o Brasil voltava ao pódio nos Jogos Olímpicos de Roma, na Itália, com outra medalha de bronze.
          Em 1963, a seleção masculina conquistava o bicampeonato do mundial disputado aqui no Brasil.
          Em 1964, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, o Brasil conquistava mais um a medalha de bronze.
          Depois da geração vencedora da década de 1950 e 1960, o Brasil contou com alguns outros atletas como o pivô Marquinhos, vice-campeão com a seleção no Mundial de 1970.
          Depois disto, novos astros surgiram no fim da mesma década, tendo como destaque o grande “mão santa”, Oscar Schmitd e Marcel Souza (foto acima).
          Foi com Oscar Schmitd que o Brasil teve a sua principal conquista para o basquete brasileiro. Em 1987, nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, nos Estados Unidos, o Brasil, liderado por Oscar, venceu a equipe norte-americana na final que contava com um jovem chamado, Michael Jordan.
          De lá pra cá quem mais se destacou foi o basquete feminino. Com a rainha Hortência e a “magic” Paula, o Brasil conquistou o Campeonato Mundial, em 1994, na Austrália. Também com elas a seleção feminina conseguiu a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996.
          A última grande conquista do basquete brasileiro, foi com as meninas nos Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000, quando conseguiram a medalha de bronze após derrotarem a seleção da Coréia do Sul.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- LIVRO: Almanaque dos Esportes, Editora Europa, 2009.
- LIVRO: A História dos Esportes, Orlando Duarte, 4ª ed. Editora Senac, SP, 2004.
- LIVRO: O Guia dos Curiosos: esportes 3ª ed. Marcelo Duarte, Editora Panda Books.
- LIVRO: Fique por Dentro – Esportes Olímpicos, Benedito Turco. - Rio de Janeiro. Casa da Palavra: COB, 2006.
- SITE: Confederação Brasileira de Basquete - 
http://www.cbb.com.br/
- SITE: Federação Internacional de Basquete - 
http://www.fiba.com/
- SITE: Federação Paulista de Basquete - 
http://www.fpb.com.br/